Este vídeo é um exemplo de Relato Pessoal, um texto em que se conta acontecimentos verídicos. Um Relato pode ser subjetivo, quando tem o tom informal e dá ênfase a sensações, sentimentos e opiniões do emissor, em relação ao texto. É um diário pessoal, relato de experiências vividas, uma autobiografia... Pode ser objetivo, quando a ênfase está nos fatos contados, com tom de neutralidade, uma espécie de relatório, com fidelidade.
Outro exemplo:
Outro exemplo:
Relato Pessoal
GENTE É BICHO E BICHO É GENTE
Querido Diário, não tenho mais dúvida
de que este mundo está virado ao avesso! Fui ontem à cidade com minha mãe e
você não faz idéia do que eu vi. Uma coisa horrível, horripilante, escabrosa,
assustadora, triste, estranha, diferente, desumana... E eu fiquei chateada.
Eu vi um homem, um ser humano, igual
a nós, remexendo na lata de lixo. E sabe o que ele estava procurando? Ele
buscava, no lixo, restos de alimento. Ele procurava comida!
Querido Diário, como pode isso?
Alguém revirando uma lata cheia de coisas imundas e retirar dela algo para
comer? Pois foi assim mesmo, do jeitinho que estou contando. Ele colocou num
saco de plástico enorme um montão de comida que um restaurante havia jogado
fora. Aarghh!!! Devia estar horrível!
Mas o homem parecia bastante satisfeito
por ter encontrado aqueles restos. Na mesma hora, querido Diário, olhei
assustadíssima para a mamãe. Ela compreendeu o meu assombro. Virei para ela e
perguntei: “Mãe, aquele homem vai comer aquilo?” Mamãe fez um “sim” com a
cabeça e, em seguida, continuou: “Viu, entende por que eu fico brava quando
você reclama da comida?”.
É verdade! Muitas vezes, eu me recuso
a comer chuchu, quiabo, abobrinha e moranga. E larguei no prato, duas vezes, um
montão de repolho, que eu odeio! Puxa vida! Eu me senti muito envergonhada!
Vendo aquela cena, ainda me lembrei
do Pó, nosso cachorro. Nem ele come uma comida igual àquela que o homem buscou
do lixo. Engraçado, querido Diário, o nosso cão vive bem melhor do que aquele
homem.
Tem alguma coisa errada nessa
história, você não acha?
Como pode um ser humano comer comida
do lixo e o meu cachorro comer comida limpinha? Como pode, querido Diário,
bicho tratado como gente e gente vivendo como bicho? Naquela noite eu rezei,
pedindo que Deus conserte logo este mundo. Ele nunca falha. E jamais deixa de
atender os meus pedidos. Só assim, eu consegui adormecer um pouquinho mais
feliz.
(OLIVEIRA, Pedro Antônio. Gente é
bicho e bicho é gente. Diário da Tarde. Belo Horizonte, 16 out. 1999).
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